sábado, 9 de janeiro de 2016

Só faltou Julinho da Adelaide

Assisti na quinta Chico - Artista Brasileiro.
Um documentário sensacional, um desses filmes que ficamos até o final dos letreiros, com aquela vontade de permancer para a próxima sessão.
A vida dele e um pouco da história do Brasil em uma hora e cinquenta minutos de muita emoção, emolduradas pelas canções que fizeram parte de minha vida desde os cinco anos de idade (E quando moleques em Taguatinga Sul parodiávamos A Banda - "estava a toa na vida e meu amor me chamou, vai trabalhar vagabundo que o gás acabou...")
A trajetória de um artista excepcional, um interprete do sentimento dos brasileiros, dos homens, das mulheres, dos homossexuais, dos operários e dos marginais, como ele próprio explica numa das passagens mais belas do filme.
Mas faltou Julinho da Adelaide.
O filme ignora esta fase de Chico, tão emblemática em relação à censura, que, no entanto, é abordada de forma severa e cômica.
Chico: Artista Brasileiro nos lava a alma e flamba o coração.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Quanto mais se nega o racismo, mais ele se propaga, diz ministra


Agência Brasil
A ministra Nilma Gomes, da Seppir destaca como principais avanços as cotas em concursos públicos e a política voltada ao atendimento de saúde da população negra. A ministra Nilma Gomes, da Seppir destaca como principais avanços as cotas em concursos públicos e a política voltada ao atendimento de saúde da população negra.  Nos cinco anos do Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, lembrados nesta segunda-feira (20), ela conversou com a Agência Brasil e avaliou o cenário da busca pela igualdade racial no país. Para ela, entre os principais avanços estão as cotas em concursos públicos e a política voltada ao atendimento de saúde da população negra.

Agência Brasil: De que forma o racismo se manifesta no Brasil?

Nilma Gomes: O racismo brasileiro tem uma peculiaridade: a ambiguidade. É um fenômeno que se afirma através da sua própria negação. Quanto mais se nega a existência do racismo no Brasil, mais esse racismo se propaga. E essa é uma característica que nos desafia muito a superá-lo e a desvelá-lo. Conhecer e reconhecer essa característica do racismo brasileiro já são avanços, porque antes compreendia-se muito mal o que era o racismo no Brasil.

Diante desse cenário, o que o Estatuto da Igualdade Racial representa hoje?

O estatuto representa hoje para o Brasil uma conquista e é uma conquista que foi organizada, demandada pelos movimentos sociais, em particular, o movimento negro. Passou por um processo de uma grande discussão no Congresso Nacional, foi ratificado pelo governo federal e efetivamente hoje podemos falar que temos, além da Constituição Federal, uma lei nacional que garante direito à população negra brasileira.

Um dos mecanismos previstos no estatuto é o de uma ouvidoria para receber as denúncias de preconceito. Como o órgão tem funcionado? No ano passado, o governo anunciou a criação do Disque Igualdade Racial, o 138. Como está a implementação da medida?

Nossa Ouvidoria tem recebido ao longo do tempo um aumento significativo das denúncias. Ela foi criada em 2011. No primeiro ano, temos registradas 219 denúncias e essas denúncias foram crescendo ano a ano. Em 2015, apenas no primeiro semestre, já superamos o número de denúncias do primeiro ano, temos até agora mais de 270 denúncias. Mas essa questão no Brasil ainda tem que avançar muito, ainda temos um histórico de subnotificação dos crimes raciais. Nem sempre as pessoas formalizam denúncias e temos todo um processo na Ouvidoria da Seppir que é de registrar os casos, acompanhá-los e encaminhá-los para os órgãos e instituições responsáveis. O Disque Igualdade Racial está ainda na fase de estudos técnicos. Ele ainda não foi lançado, porque queremos lançá-lo de maneira bem completa, para que funcione de fato como uma ferramenta de combate ao racismo.

Quais foram as conquistas alcançadas a partir do estatuto?

O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Sinapir, que está previsto no estatuto, é muito importante porque é a atuação do governo federal nos estados, Distrito Federal e municípios. Estamos exatamente neste momento na Seppir construindo a adesão voluntária ao Sinapir. Mais um avanço é a própria política de cotas nos concursos públicos, a Lei 12.990/2014, que já está em vigor. Já temos concursos sendo realizados, e essa legislação vai, a médio e longo prazo, nos possibilitar ter o perfil da realidade étnico-racial brasileira nos cargos públicos. Outra ação importante é a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, no Ministério da Saúde, que vem se desenvolvendo ao longo dos anos com a participação dos movimentos sociais e da Seppir, como um dos articuladores.

As cotas no serviço público esbarram em alguns problemas. Muitos concursos oferecem apenas uma vaga, a reserva de 20% das vagas prevista na lei passa a valer a partir de três vagas, entre outras questões. A Seppir pretende agir de alguma forma para regulamentar a lei?

A lei é autoaplicável. O que a Seppir tem discutido com outros ministérios e também com estados que implementaram as leis baseadas na lei federal é algum tipo de orientação para a implementação da legislação. Isso talvez nós façamos por meio de uma portaria, que ainda está em construção. Estamos ouvindo o que a sociedade civil tem nos falado. Estamos em discussão com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ainda não dá para adiantar. Queremos ter essa portaria ainda este ano.

Está também no estatuto a garantia da liberdade religiosa. A população negra é que mais sofre com a intolerância religiosa.

A violência religiosa tem nos preocupado muito e não só a Seppir, mas o governo federal como um todo. O que temos feito, além das denúncias que são apresentadas à nossa Ouvidoria, é ouvir os segmentos, os movimentos sociais. Estamos neste momento pensando em uma ação mais global do governo para podermos trabalhar em uma conscientização da população para uma superação da violência e inclusive na informação para as vítimas de quais são os caminhos jurídicos que podem seguir quando sofrerem essa violência.

Alguns movimentos pedem reforma do estatuto. O argumento é que, na tramitação, trechos importantes foram retirados. A Seppir pretende propor alguma mudança?


Não está na pauta da Seppir, no atual momento, fazer alguma alteração no Estatuto da Igualdade Racial. Eu acho que o processo pelo qual o estatuto passou é um processo que existe na sociedade democrática de negociação e conflito. O estatuto passou por mudanças, mas essas mudanças de forma alguma invalidaram o teor e o alcance dele.

sábado, 8 de agosto de 2015

Wilson Santos é o novo Mário Spinelli

O deputado estadual Wilson Santos é tido como um renomado professor de História. Dizem que é dos bons. Mas tenho comigo que ele sabe muito pouco da história recente do nosso País. 

Wilson Santos se deu conta da vida política ali nos estertores da ditadura. Não viveu nada de sua fase mais brutal e não testemunhou nada das crises político-institucionais que o Brasil viveu pré e pós 1964. Era um menininho que vendia jornais no Palácio Alencastro quando Médici mandava matar nos porões da ditadura. Não viveu os horrores de um regime totalmente de exceção, que fechou Congresso, que destruiu toda forma de organização da sociedade civil, que prendeu, exilou, perseguiu, estuprou mulheres nas masmorras e não permitiu uma simples reuniãozinha familiar suspeita.

Ou seja, Wilson Santos não sabe de nada. Não deve ter a mínima ideia do que é a quebra da legalidade democrática. Mas não é nenhum inocente. Se faz de besta. Ou tem simplesmente a plena convicção dos conspiradores. É isto, aliás, o que se tornou este líder do governador Pedro Taques na Assembleia Legislativa. Taques é um neocon e, qual o chefe, Santos envereda por caminhos que fatalmente vão destruir por completo sua biografia. Ou ajustá-la ao que de fato é: um traidor dos ideais do povo. Porque não basta ser um neoconservador, é necessário ser um neo-conspirador.

Marx diz lá no comecinho de seu celebre “18 Brumário de Luís Bonaparte” que fatos e personagens da História repetem duas vezes, uma como tragédia e outra como farsa. E Wilson Santos confirma esta tese marxista. Ele repete Mário Spinelli, o grande conspirador civil do golpe militar de 1964, que em Cuiabá se juntou ao grande conspirador militar Carlos de Meira Matos. Há, porém, uma ressalva: Santos é, em essência uma farsa de sua própria história, um sujeito capaz de derreter sua biografia por conta de uma conduta leviana e uma má índole que permeia uma personalidade bipolar - alternando a maldade indisfarçada com o bom-mocismo traiçoeiro. É uma farsa em si, uma fraude como pessoa, mas a sua postura política é uma tragédia.

Para entender, voltemos cinco décadas atrás. Estamos no auditório-teatro do Colégio Liceu Cuiabano ou nas dependências do então 16º Batalhão de Caçadores (atualmente 44º Batalhão de Infantaria Motorizada) ou numa casa no alto do Goiabeiras. Nestes palcos homens e mulheres se reuniam sob a liderança de Mário Spinelli e Carlos de Meira Matos, então coronel do Exército. Um foi soldado da legendária Coluna Prestes e o outro, combatente da não menos épica Força Expedicionária Brasileira (FEB). Spinelli, com uma controvérsia trajetória como político e empresário rural mato-grossense, liderava a mobilização civil. Matos, comandante do 16º BC, era, por motivos óbvios, o braço armado do movimento.

O encontro desses dois personagens distintos da história brasileira teve uma coincidência ideológica e um acaso. Mário Spinelli foi um soldado de Luiz Carlos Prestes, quando o capitão do Exército adentrou Mato Grosso no final dos anos 20 do século passado com sua coluna e fixou acampamento na região de Chapada dos Guimarães.

Spinelli era então um jovem idealista e se engajou auxiliando na logística da tropa, essencialmente cuidando de cavalos para a montaria de oficiais e arrastar canhões. Não consta que tenha entrado em combate. Quando a tropa seguiu viagem, ele marchou por pouco tempo.

Anos mais tarde, Mário Spinelli trilhou caminhos totalmente opostos ao de que Prestes passaria a seguir: a esquerda. Como Filinto Muller, outro convertido personagem da história nacional, que saiu da Coluna brigado com Prestes, num episódio que envolveria desvio de recursos que davam sustentação financeira ao movimento, Spinelli tornou-se um dos ícones da direita mato-grossense.

Carlos de Meira Matos, oriundo dos quadros da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), era um militar totalmente inserido na doutrina da segurança nacional, incutida pelos militares dos Estados Unidos como ideologia para barrar o avanço do comunismo no mundo logo após dividirem com a União Soviética os louros da vitória na Segunda Guerra Mundial.

Depois de servir na Itália, Meira Matos foi um dos militares brasileiros que mais assimilou e passou a ser um dos principais teóricos desta doutrina no Brasil, que serviu de base para a implantação de ditaduras (militares ou não) pró-Estados Unidos em todo o continente latino-americano. Era um produto da Guerra Fria.

A aliança de Spinelli e Meira Matos, então, estava selada por um mesmo ideal: não permitir a continuidade do governo de Jango, tido como aliado dos comunistas e propenso a implantar uma “ditadura sindicalista” no Brasil, pró-União Soviética.

O acaso: Meira Matos estava em Cuiabá cumprindo uma pena disciplinar imposta pelo então ministro da Guerra de João Goulart, Jair Dantas Ribeiro. Servindo no Rio de Janeiro, ainda no final de 1963, Meira Matos era líder de um grupo de oficiais que conspiravam abertamente contra o presidente. Sofreu processo disciplinar e a pena imposta foi o “exílio” na capital mato-grossense.

A pretensão do general Dantas Ribeiro era transferir o coronel Meira Matos para bem longe do eixo Rio-São Paulo, onde estavam os principais focos da armação do golpe. A “punição”, no entanto, acabou estimulando ainda mais as operações de Meira Matos e transformando-o em um elo entre os conspiradores do Sudeste com os do Centro-Oeste e Norte do País.

Depois de intensas reuniões e de “assembleias” que mobilizavam centenas de pessoas no teatro do Liceu Cuiabano, Spinelli e Meira Matos aguardaram apenas a senha para o golpe.

Nos últimos dias de março de 1964 o coronel já tinha o plano totalmente elaborado: marcharia com a tropa do 16º BC rumo a Rondonópolis (no Sul de Mato Grosso – naquela época ainda não havia divisão e era região Leste), onde incorporaria as tropas do Grupo de Artilharia e Combate, seguindo para Goiás e incorporando todas as unidades militares ao longo da BR 364: Mineiros, Jataí e Rio Verde, até Goiânia, ganhando a adesão do 10º Batalhão de Caçadores, seguindo rumo a Brasília.

Resultado: naquela madrugada de 31 de março para 1º de abril as tropas Meira Matos já estavam em posição de combate nas cercanias da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Foi a primeira a chegar ali, mesmo antes de acordarem as tropas locais.

Àquela altura Jango já havia fugindo para o Rio Grande do Sul e, de lá, para Uruguai. Mas a mobilização de Meira Matos, somada à do general Olímpio Mourão Filho e Minas Gerais ao Rio de Janeiro, inibiu qualquer reação do ex-presidente, que, em que pese o apoio popular que detinha, preferiu não mergulhar o país numa guerra civil.

Rememoro esta história para relembrar que Cuiabá foi um dos principais berços da conspiração contra Goulart e agora é um dos fortes focos da conspiração contra a presidente Dilma. E Wilson Santos ocupa o papel de Mário Spinelli nesta empreitada. Agora com outras armas, mas com a mesma disposição de quebrar a legalidade democrática. Aguardemos os próximos capítulos.







segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Vem aí o Manga com Leite

Após dois anos de maturação, decido lançar o meu projeto "Manga com Leite".

Trata-se de uma iniciativa que vai atuar em duas frentes que se aglutinam.

A primeira é um veículo para divulgar a comunidade negra de Brasília nas vertentes da moda, comportamento, estética e cultura.

A segunda é, por meio desta divulgação, estimular o protagonismo e o empoderamentos das comunidades afrodescendentes do Distrito Federal.

O jornal Manga com Leite vai trabalhar pautas que objetivam mostrar o modo e estilo de vida da população afrodescendente do Distrito Federal, unidade da Federação que possui 56% de população negra e que, no entanto, está marginalizada e ao largo das decisões em vários aspectos da cidade.

As pautas abordarão temas como roupas, acessórios, cabelo, cosméticos, arte, música, teatro e cinema e o modo de vida e estilos dos negros, com o objetivo de elevar a auto-estima e mostrar o poder de consumo desta parcela da população em geral fora do poder político e econômico da capital federal.

A cobertura das iniciativas dos movimentos social e étnico-racial também estará em nossa pauta.

O jornal terá periodicidade bimestral, com 12 páginas, colorido e formato francês e tiragem de três mil exemplares.

Para financiar as cinco primeiras edições, aceitei sugestão de uma amiga para abrir uma campanha de Crowdfunding e indicou o Kickante.

Minha campanha está aqui:
http://www.kickante.com.br/campanhas/jornal-sobre-moda-comportamento-estetica-e-cultura-negra




Plenária Nacional da UNEGRO debaterá avanço do racismo no Brasil

As relações raciais estão acirradas e o racismo cresce no Brasil. A mais fiel interpretação sobre as relações raciais na atual conjuntura é de acirramento da tensão e intolerância racial, étnica e civilizatória com o crescimento do racismo no Brasil.

Apesar das sucessivas políticas que visam à promoção da igualdade racial desde 2001 com a aprovação do Plano de Ação da Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em Durban na África do Sul, ainda registramos altos índices de marginalidade, exclusão social e genocídio contra os negros e negras.

Somente entre a juventude negra, a possibilidade de um jovem negro ser assassinado é 2,5 vezes maior que a de um jovem branco. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 77% são negros.

No esporte, cada vez mais aparecem casos de preconceito racial nos jogos e eventos esportivos. E nas redes sociais aumentaram os crimes de intolerância e de ódio racial contra a população negra. Portanto, a UNEGRO (União de Negros Pela Igualdade) é contra a redução da maioridade penal e favor das atuais políticas de ações afirmativas.

Para ampliar sua luta pela eliminação dessas formas de discriminação racial, a UNEGRO vai realizar sua 5ª Plenária Nacional, no Centro de Convenções Instituto Israel Pinheiro, entre os dias 7 a 9 de agosto, em Brasília.

A UNEGRO foi fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador (BA), e, aos 27 anos e com mais de 10 mil filiados, pretende com essa plenária de Brasília preparar sua militância para enfrentar esses ataques racistas, participar nas conferências governamentais e pressionar os governos para avançar nas políticas públicas de promoção da igualdade racial

Ato Político da 5ª Plenária Nacional da UNEGRO, dia 7 de agosto às 19 h, com a presença dos convidados:
Nilma Lino Gomes, ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Cida Abreu, presidenta da Fundação Cultural Palmares
Carina Vitral, presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Haroldo Lima, ex-presidente da ANP- Agência Nacional do Petróleo
Olívia Santana, Secretária da Secretaria de Políticas Para as Mulheres da Bahia
Bia Barbosa, diretora do FNDC (Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação)

Serviço:
5ª Plenária Nacional da UNEGRO
Dias 7 a 9 de agosto de 2015
Auditório do Instituto Israel Pinheiro – Brasília/DF.
Local: SDHB,QL 32, Conjunto 1 Bloco A
Púbico estimado: 150 lideranças nacionais e convidados
Outras informações em:
www.unegro.org.br
telefones: 31-96561564 - Alexandre Braga (Direção Nacional de Comunicação da UNEGRO)
61-99420704 e 82381042 (zap) - João Negrão (UNEGRO-DF)
Facebook: unegro

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Movimento considera baixa reserva de 2% das vagas para negros e indígenas na USP

Por Bruno Bocchini
Da Agência Brasil

Ativistas de movimentos negros criticaram nessa quarta-feira (24) a baixa quantidade de vagas que serão reservadas na Universidade de São Paulo (USP) para estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que tenham estudado todo o ensino médio em escolas públicas. No total, serão destinadas ao grupo 225 ou 2% das 11.057 vagas que a universidade abrirá em 2016.

“A USP é um espaço de privilégio e continua sendo uma ilha de exceção, uma ilha de manutenção de privilégios e uma ilha de manutenção de privilégio branco, sobretudo. E a prova concreta está no conteúdo da proposta deles, que estabelece o acesso para um percentual ínfimo”, disse Douglas Belchior, da União de Núcleos de Educação Popular para Negras, Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro).

O número de vagas que serão destinadas ao grupo PPI foi decidido independentemente por unidade da universidade e aprovada terça-feira (23) pelo Conselho Universitário da instituição. Assim, enquanto o curso de marketing da USP Leste vai reservar 10% de suas vagas para o grupo, outras unidades, como a Faculdade de Medicina, não farão nenhum tipo de reserva.

“É uma resposta [da USP] que tenta amenizar as críticas e amenizar esse caráter racista que a universidade reafirma ao propor essa política. Para nós, ela é extremamente ineficaz e a história mostrará, assim como todas as demais iniciativas que não conseguiram alterar significativamente a presença de negros dentro da USP. Essa proposta também não alcançará esse objetivo”, acrescentou Belchior.

Dos 151 cursos que serão oferecidos pela USP em 2016, em apenas 13 haverá reserva de vagas para pretos, pardos ou indígenas: bacharelado em sistemas da informação, licenciatura em ciências da natureza, educação física e saúde, gerontologia, obstetrícia, saúde pública, psicologia, bacharelado em têxtil e moda, bacharelado em lazer e turismo, bacharelado em gestão ambiental, gestão de políticas públicas, marketing e relações internacionais.

As vagas serão preenchidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação, que leva em conta as notas obtidas pelos alunos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

“É um avanço utilizar o Sisu, mas o percentual é extremamente baixo, nas demais universidades públicas, de forma geral, esse percentual é bem maior e é aplicado de forma homogênea. A USP fez isso de forma muito fragmentada, há cursos que se recusaram”, destacou Maria José Menezes, do Núcleo de Consciência Negra (NCN) na USP.

As faculdades de Medicina, de Economia e Administração e a Politécnica estão entre as unidades que não adotaram o novo modelo de ingresso com base no Enem. Também não vão implementar o sistema a Escola de Engenharia de São Carlos, o Instituto de Física (SP), o Instituto de Química de São Carlos, a Faculdade de Odontologia (SP). Além dessas, a Escola de Comunicações e Artes, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e o Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos não vão aderir ao novo modelo. Parte das unidades da USP, como a Faculdade de Direito, decidiu que vai reservar algumas vagas para alunos egressos de escola pública, mas sem considerar a classificação racial.

A adoção de cotas para pretos, pardos e indígenas tem sido feita por boa parte das faculdades públicas do país. As universidades federais, por exemplo, estão obrigadas, a partir de 2016, a reservar 50% de suas vagas para estudantes egressos de escolas públicas. Dentro desse montante, terão de reservar aos pretos, pardos ou indígenas parcela de vagas proporcionais ao que o grupo representa na população do estado onde fica a universidade. Como em São Paulo esse percentual é, aproximadamente, 35%, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) terá de reservar, entre os 50% advindos de escola pública, essa quantidade de vagas para o grupo.

“Ficamos ilhados por muitos anos e agora nós começamos a quebrar essa parede, esse primeiro passo é o mais importante, os outros virão nos próximos anos. Foi uma grande vitória para a Universidade de São Paulo, temos a oportunidade de nos inserir em um sistema nacional de seleção de alunos, o que aumenta a oportunidade para estudantes do Brasil inteiro”, destacou o reitor da USP, Marco Antônio Zago, após a reunião do conselho na terça-feira.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Comunicadores do DF elegem novo secretariado


A organização de base dos comunicadores do do Distrito Federal se reuniu na última quinta-feira (12) para discutir as conjunturas nacional e do Distrito Federal e elegera o novo secretariado. Retomando a luta política e ideológica para contrapor o fascismo, os comunicadores elegeram os jornalistas Ana Santos, Gustavo Alves e João Negrão.
No planejamento inclui uma campanha de filiação ao Sindicato e outras entidades de base dos comunicadores, a luta pela democratização da mídia, pela regulação econômica dos meios de comunicação, e ações voltadas para as organizações e organismos de direção pela compreensão da luta ideológica e tarefas cotidianas.

Cojira retoma atividades de 2015

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Distrito Federal fez a sua primeira reunião do ano no último sábado (7). Na pauta, o planejamento de suas atividades para 2015, que inclui uma série de ações nos âmbitos profissional, político-institucional e cultural.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Ministro Aldo Rebelo quer parcerias com instituições de Mato Grosso

Ao receber o suplente de senador Manoel Motta e o presidente do Instituto de Saúde e Bem-estar do Trabalhador, Cesar Delgado, o titular da Ciência e Tecnologia afirmou que visitará o Estado

Da Assessoria

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo, recebeu na tarde desta quarta-feira (4), o suplente de senador e professor Manoel Motta e o presidente do Instituto de Saúde e Bem-estar do Trabalhador (IST), o professor Cesar Delgado. Motta e Delgado foram discutir com Rebelo a possibilidade de projetos e parcerias do ministério com órgãos públicos, universidades e instituições de pesquisa de Mato Grosso. Muito receptivo, o ministro assegurou que visitará o estado para dialogar com representantes do setor, o governo, prefeituras e parlamentares.

Depois do encontro com Rebelo, os professores Manoel Motta e Cesar Delgado se reuniram com a assessora especial do ministro, Lúcia Ana de Melo e Silva, para encaminhamentos das demandas apresentadas. Motta fez uma exposição sobre a importância do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), vinculado ao MCTI, com sede no campus de Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ressaltou a importância da presença do ministro no Estado para fortalecer as inciativas de pesquisas e inovações.

Delgado enfatizou que Mato Grosso, como um estado em desenvolvimento, necessita do fortalecimento de suas instituições de pesquisa e das entidades que atuam no setor, inclusive na área de inclusão digital. Aqui ele apresentou a demanda do secretário de Comunicação de Várzea Grande, Eduardo Ferreira, para a inclusão do município no projeto de Cidade Digital desenvolvido pelo MCTI. Ficou acordado que o Ministério estabelecerá diálogo com o prefeito e o secretário, além dos representantes de outros municípios, para analisar a possibilidade de implementação dos projetos.